PUBLICIDADE
Google inicia testes com anúncios em assistentes de inteligência artificial

news 158051 1768384898

A introdução de publicidade no AI Mode marca uma nova fase para a empresa, que busca equilibrar a monetização da tecnologia com a experiência do usuário em conversas digitais.

O Google comunicou aos anunciantes no último domingo (11) a disponibilidade de um novo formato publicitário dentro do AI Mode, seu assistente de busca baseado em chatbot. A gigante da tecnologia exemplificou a novidade com uma situação de compra cotidiana, na qual um usuário pesquisa por um tapete para a sala de jantar e recebe, junto às recomendações da inteligência artificial, um cupom de desconto de uma loja parceira.

Essa oferta promocional funciona como um anúncio pago e sinaliza o início de uma era de testes e ajustes para a publicidade em ferramentas de IA. O movimento segue uma tendência de expansão de anúncios para espaços digitais anteriormente livres de interrupções comerciais, como aplicativos de mensagens, serviços de transporte e plataformas de streaming. A empresa ressalta que os cupons não alteram a integridade das informações geradas pelo sistema.

Analistas de mercado observam o cenário com atenção, dado o alto custo operacional das tecnologias generativas. O mercado global de publicidade movimenta cerca de US$ 1 trilhão anualmente e representa uma fonte crucial de receita para cobrir os investimentos massivos no setor. Nate Elliott, analista da consultoria eMarketer, avalia que as corporações enfrentam o desafio de rentabilizar seus produtos sem prejudicar a base de usuários. “Elas precisam começar a ganhar dinheiro com esses investimentos, mas rodar anúncios —algo que as pessoas geralmente não querem ver— cria o risco de afastar usuários”.

Outras empresas estudam estratégias similares

O Google não é o único a explorar esse terreno. A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, também analisa a introdução de publicidade em sua plataforma, conforme reportado pelo site The Information em dezembro. A companhia mantém uma postura de cautela para preservar a relação com sua base de utilizadores. “Se avançarmos com anúncios, adotaremos uma abordagem cuidadosa. As pessoas confiam no ChatGPT, e tudo o que fizermos será pensado para respeitar essa confiança”.

Outros competidores adotam táticas variadas. A Perplexity, focada em busca com IA, recuou de iniciativas publicitárias anteriores, mas mantém experimentos com marcas. Já a Meta utiliza os dados compartilhados em interações com seu bot para direcionar propaganda no Facebook e Instagram, embora ainda não exiba anúncios diretamente dentro da interface do Meta AI.

Privacidade e a natureza das conversas

A entrada de marcas nesses ambientes levanta questionamentos sobre a invasão de privacidade em espaços percebidos como íntimos. Chatbots muitas vezes atuam como parceiros de conversa ou conselheiros em temas sensíveis, como saúde e relacionamentos. A inserção de mensagens comerciais nesses contextos, como a oferta de medicamentos durante uma consulta sobre sintomas médicos, pode gerar desconforto ou sugerir um viés motivado pelo pagamento do anunciante.

Especialistas preveem que empresas menores devem adotar a publicidade em IA de forma mais agressiva ainda este ano. As grandes corporações, por sua vez, tendem a realizar testes prolongados antes de uma implementação massiva, possivelmente visando um horizonte próximo a 2027. Para os usuários que rejeitam a presença de marcas em suas interações com a inteligência artificial, a solução provável oferecida pelo mercado será a adesão a planos de assinatura pagos.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também