Mato Grosso do Sul fortalece saúde mental com RAPS ampliada e protocolo inédito

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Expansão da Rede de Atenção Psicossocial e a criação de fluxo unificado para crises psiquiátricas definem novo padrão de cuidado no estado.

Mato Grosso do Sul consolidou um novo padrão na organização da saúde mental, combinando a expansão de serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) com a implementação do inédito Protocolo Unificado de Atendimento a Emergências Psiquiátricas. Este processo, considerado um dos mais estruturantes para a RAPS, avançou na qualificação do cuidado e na capacidade de resposta dos serviços.

A coordenadora de Áreas Temáticas e Saúde Mental da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Arielle Jheniffer dos Reis, avalia que o movimento fortaleceu a rede como um todo. “Com a ampliação da RAPS e a padronização dos fluxos de emergência, avançamos na qualificação do cuidado e na capacidade de resposta dos serviços. É um movimento que fortalece a rede como um todo”.

O Protocolo Unificado de Atendimento a Emergências Psiquiátricas representa um divisor de águas na condução desses casos, ao estabelecer um padrão para fluxos, responsabilidades e a abordagem técnica em situações de crise em todo o estado. A superintendente de Atenção à Saúde, Angélica Congro, destacou que a iniciativa resolve um problema histórico de disparidade. “A falta de padronização sempre foi um desafio. Com o protocolo unificado, conseguimos estabelecer uma linha de cuidado clara, que organiza a rede e dá segurança às equipes, reduzindo encaminhamentos desnecessários e fortalecendo o atendimento no território”.

A construção do documento contou com a participação de hospitais gerais, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), SAMU, municípios e especialistas, garantindo um modelo integrador focado em segurança clínica, acolhimento imediato e fluxos mais resolutivos.

Expansão e Regionalização da RAPS

A interiorização estratégica da saúde mental é apoiada pelo Plano de Ação Regional da RAPS/2025 (PAR-2025), que permite que municípios de pequeno porte se unam em arranjos regionais para ofertar serviços especializados. O número de CAPS no estado saltou de 33 para 40 entre 2022 e 2025. A projeção do plano é que a rede alcance 56 unidades até 2029, o que cobrirá aproximadamente 87% dos municípios.

O PAR 2025 prevê a criação de 17 novos CAPS, além de 3 CAPS regionalizados, 4 Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) e 1 Unidade de Acolhimento Adulto (UA-A). Essa estruturação garante acesso real ao cuidado especializado para regiões historicamente desassistidas, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos.

Um dos destaques da expansão é o desempenho do CAPS de Amambai. A unidade, que completou quatro meses de operação, registrou indicadores de acolhimento e acompanhamento considerados acima da média para serviços recém-implantados. O centro ampliou a oferta no Cone Sul e estabilizou atendimentos que antes eram absorvidos por municípios vizinhos ou exigiam deslocamentos maiores.

Qualificação Profissional e Prevenção ao Suicídio

O processo de fortalecimento da rede foi acompanhado por uma intensa agenda de articulação e qualificação profissional em todas as macrorregiões de Mato Grosso do Sul. Em novembro, encontros estratégicos foram realizados, abordando temas específicos em cada território.

Na região do Pantanal, em Corumbá, os profissionais debateram a qualificação dos serviços, focando na atenção primária, urgência e emergência, além da análise da RAPS e linhas de cuidado. No Cone Sul, em Dourados, as oficinas e debates trataram de educação popular em saúde, cuidado em liberdade, redução de danos, saberes tradicionais indígenas e reabilitação psicossocial. Já na Costa Leste, em Chapadão do Sul, o encontro “Cuidar em Rede” integrou diferentes pontos da rede para discutir manejo de crise, cuidado territorial, TEA, teleatendimento e práticas integrativas, reforçando a coesão regional.

Integrando este movimento de reorganização da política estadual de saúde mental, o Comitê Estadual de Prevenção ao Suicídio de Mato Grosso do Sul foi retomado em 2025. Entre as primeiras entregas do colegiado está a elaboração do Fluxo Estadual de Atendimento a Casos de Tentativa de Suicídio. Este fluxo foi formalizado em Nota Técnica e orienta os serviços de saúde sobre o acolhimento qualificado, manejo adequado e o encaminhamento oportuno de pessoas em situação de crise, visando garantir um cuidado integral, humanizado e contínuo em toda a rede de atenção.

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