Papa lamenta condições dos palestinos em Gaza no sermão de Natal
Durante a celebração natalina nesta quinta-feira na Basílica de São Pedro, o pontífice dirigiu um pronunciamento incomum no âmbito espiritual do serviço e destacou, com tom direto, a situação humanitária em Gaza.
Leão XIV, que foi eleito em maio para suceder o papa Francisco e é o primeiro papa dos Estados Unidos, tem adotado abordagem mais calma e diplomática, mas nesta ocasião incorporou referências políticas ao abordar sofrimentos de civis em zonas de conflito.
Ao evocar a cena do nascimento de Jesus e a imagem da presença de Deus entre os homens, ele ligou essa evocação à realidade de pessoas que vivem em abrigos improvisados e expostas aos elementos.
“Como, então, podemos não pensar nas tendas em Gaza, expostas por semanas à chuva, ao vento e ao frio?”
Organizações humanitárias e agências presentes no terreno têm relatado que o fluxo de auxílio a Gaza permanece insuficiente e que quase toda a população enfrenta deslocamento e falta de moradia, após dois anos de bombardeios e operações militares que se seguiram a um ataque do Hamas em outubro de 2023.
Em declarações feitas anteriormente a jornalistas, o papa também afirmou que a solução para o conflito de longa duração deve passar pela criação de um Estado palestino, visão que ele manteve ao longo das últimas semanas.
Em uma bênção natalina posterior, o pontífice chamou atenção para o drama de pessoas que cruzam continentes em busca de segurança e melhores condições de vida.
“atravessam o continente norte-americano”
Na véspera do Natal, em outro momento litúrgico, ele relacionou a indiferença diante dos pobres e de estrangeiros à rejeição dos valores cristãos essenciais.
“se recusar a ajudar pobres e estrangeiros é o mesmo que rejeitar o próprio Deus.”
No culto desta quinta-feira, diante de milhares de fiéis, o papa também falou sobre a situação dos sem-teto e sobre a destruição provocada por conflitos, sobressaindo a vulnerabilidade das populações civis.
“Frágil é a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras, em andamento ou concluídas, deixando para trás escombros e feridas abertas”
Em seguida, ele chamou a atenção para os efeitos sobre os jovens forçados a participar de combates e para a manipulação retórica que os empurra ao conflito.
“Frágeis são as mentes e as vidas dos jovens forçados a pegar em armas, que nas linhas de frente sentem a insensatez do que lhes é pedido e as falsidades que enchem os discursos pomposos daqueles que os enviam para a morte”
No tradicional pronunciamento e bênção Urbi et Orbi, o papa pediu o fim de todas as guerras e listou múltiplos conflitos que continuam a atormentar populações ao redor do mundo, entre eles os da Ucrânia, do Sudão, do Mali, de Mianmar, da Tailândia e do Camboja.
“Que o clamor das armas cesse, e que as partes envolvidas, com o apoio e o compromisso da comunidade internacional, encontrem a coragem de se engajar em um diálogo sincero, direto e respeitoso”
Sobre o confronto entre Tailândia e Camboja, o papa pediu a restauração da amizade histórica entre as nações e encorajou esforços em prol da reconciliação e da paz, diante de episódios que já deixaram ao menos 80 mortos nas semanas de confrontos na fronteira.
Embora tenha criticado no passado a repressão do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à imigração, Leão XIV não mencionou o ex-presidente em seus pronunciamentos natalinos.
Os trechos citados integram uma sequência de apelos do pontífice por compaixão e assistência aos mais vulneráveis, alinhados com temas que marcaram o início de seu pontificado e que voltaram a ser enfatizados nas celebrações natalinas deste ano.

