Bolsonaro é submetido a cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido na quinta-feira a uma operação para tratar uma hérnia inguinal bilateral em um hospital privado de Brasília, procedimento autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal.
A intervenção cirúrgica excedeu três horas e, ao término, o paciente foi transferido para um quarto onde ficará em observação pelos próximos dias sob acompanhamento médico e vigilância.
O cirurgião responsável contextualizou os resultados imediatos e a transferência do ex-presidente para a unidade de internação.
“O procedimento ocorreu sem nenhuma intercorrência”
A equipe médica avaliou que a hérnia do lado esquerdo estava em estágio inicial e era menor que a do lado direito, motivo pelo qual decidiu corrigir ambos os lados na mesma sessão para evitar nova cirurgia no futuro.
“Se não a resolvessemos agora, daqui a alguns meses ele [Bolsonaro] ia desenvolver um quadro clínico do mesmo jeito que o que desenvolveu do lado direito. Então, já foi feita a correção [da hérnia inguinal bilateral] de ambos os lados”
Durante a operação, realizada com anestesia geral, os cirurgiões implantaram uma tela de polipropileno na face interna da parede abdominal com o objetivo de reforçar a região e reduzir risco de novas hérnias.
Recuperação prevista e cuidados
A previsão inicial da equipe é que o avanço da recuperação leve entre cinco e sete dias, período em que Bolsonaro ficará em observação, fará fisioterapia e será submetido a medidas preventivas para reduzir risco de complicações vasculares, como tromboembolismo venoso.
Além disso, os médicos informaram que reavaliarão a necessidade de um procedimento para tratar os soluços recorrentes que têm afetado o ex-presidente nos últimos meses e que complicam sua recuperação.
O cardiologista envolvido no acompanhamento descreveu a preocupação da equipe com os episódios de soluço e suas repercussões sobre respiração e sono.
“Este é um ponto central [do acompanhamento do paciente, hoje, além da cirurgia [da hérnia]”
Ele ressaltou que, no pós-operatório, a persistência dos soluços pode intensificar o desconforto e prejudicar a recuperação, razão pela qual a equipe pretende priorizar alternativas clínicas antes de optar por nova intervenção cirúrgica.
“Em um pós-operatório, com o organismo precisando se recuperar, ele está sendo praticamente agredido por esse soluço”
A equipe anunciou que acompanhará a resposta do paciente à medicação nos próximos dias e que a decisão sobre eventual procedimento adicional deverá ser tomada após essa avaliação.
“Vamos observar, nestes próximos dias, a necessidade ou não deste procedimento [cirúrgico]. Provavelmente, faremos isto na segunda-feira [29], que é um bom tempo para ele poder responder à medicação”
Contexto jurídico e vigilância
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por sua participação na trama que culminou com os atos de 8 de janeiro de 2023 contra os Três Poderes e está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 25 de novembro por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Ele saiu da unidade prisional na manhã de quarta-feira para ser levado ao hospital por agentes da Polícia Federal e foi acompanhado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Por determinação judicial, durante o período de internação haverá vigilância 24 horas com a presença de dois agentes na porta do quarto, além de outras equipes posicionadas dentro e fora do hospital.

