Greve dos motoristas entra no 3º dia com paralisação total em Campo Grande

greve capital Greve dos Motoristas

A greve dos motoristas de ônibus do transporte coletivo urbano de Campo Grande entra em seu terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (17), mantendo a paralisação total do serviço em todas as regiões da cidade.

Mesmo após uma determinação judicial expressa para o retorno escalonado da frota e a fixação de uma multa diária de R$ 200 mil pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT-24), os trabalhadores decidiram em assembleia não acatar a ordem e continuar com os braços cruzados.

A decisão soberana da categoria foi tomada nas escadarias do prédio do TRT-24, logo após o término da audiência de conciliação que tentou, sem sucesso, um acordo entre as partes. Na ocasião, a Justiça do Trabalho havia ordenado a retomada parcial dos ônibus a partir das 6h de hoje, mas a deliberação dos funcionários foi pela continuidade do movimento grevista em sua totalidade.

Durante a assembleia, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU), Demétrio Freitas, chegou a apresentar uma proposta para o retorno de 40% do efetivo, visando cumprir a liminar judicial e evitar penalidades maiores. No entanto, a sugestão foi colocada em votação e amplamente rejeitada pelos motoristas presentes. Por maioria absoluta, os profissionais optaram por manter 100% da frota nas garagens e não assumir os postos de trabalho.

Com essa definição, Campo Grande caminha para registrar a maior paralisação do transporte público de sua história recente. O atual cenário já se compara à greve histórica ocorrida há 31 anos, durante a administração do então prefeito Juvêncio César da Fonseca, quando a cidade ficou sem ônibus por 72 horas ininterruptas.

garagem de onibus campo grande Greve dos Motoristas

Impasse financeiro e posições

Em entrevista concedida logo após a decisão da categoria, Demétrio Freitas enfatizou que a escolha pela manutenção da greve foi coletiva e reflete o desespero dos trabalhadores diante da falta de pagamentos. Segundo o dirigente, mesmo conscientes das sanções financeiras e jurídicas que podem recair sobre o sindicato, os motoristas estão irredutíveis enquanto não receberem os salários atrasados.

“Todo trabalhador que estava lá no auditório e participou da audiência optou por continuar a paralisação. Mesmo com a multa de R$ 200 mil que o desembargador aplicou no sindicato e uma série de coisas que podem vir, enquanto não receber o que está condicionado, eles não vão voltar”, declarou Demétrio.

Greve dos motoristas em Campo Grande entra no 3º dia
Demétrio Freitas presidente do sindicato dos rodoviários

O sindicalista apontou a falta de iniciativa do Consórcio Guaicurus como o principal motivo para o prolongamento da crise. De acordo com ele, a empresa não apresentou nenhuma proposta concreta para quitar os débitos, o que inviabilizou qualquer chance de acordo imediato. “Nenhuma proposta o Consórcio Guaicurus colocou, então infelizmente vai continuar parada. Não é o que a gente quer, a população vai ficar três dias sem ônibus, mas o trabalhador também precisa receber. Todo mundo que trabalha precisa receber”, completou.

Sobre o pagamento da multa estipulada pela Justiça, Demétrio afirmou que o assunto será tratado internamente pelo departamento jurídico e pela diretoria do sindicato em momento oportuno.

“A gente vai discutir. Vamos conversar de que maneira vai ser paga? Não sei. Só depois que for aplicada é que a gente vai ver. Da mesma maneira que ele [juiz] tem autonomia de aplicar, a gente também vai usar os nossos meios para poder ver como vai ser pago isso aí”, disse.

Pelo lado das empresas, o presidente do Consórcio Guaicurus, Themis Oliveira, afirmou que as tratativas com o Poder Executivo Municipal continuam em andamento, mas reconheceu que a decisão de não trabalhar é exclusiva dos funcionários.

“Nós vamos continuar conversando com a prefeitura e buscando resolver o problema”, garantiu. Ao ser questionado sobre a recusa dos trabalhadores em voltar às ruas, Themis foi direto: “É uma decisão deles, eu não posso intervir”.

O empresário reforçou que novas reuniões devem acontecer na tentativa de destravar o impasse, mantendo o diálogo aberto.

“É conversar o tempo inteiro, negociar o tempo inteiro. A intenção do consórcio é resolver o problema, achar uma solução. E vamos continuar buscando um entendimento”. Themis admitiu a gravidade da dívida trabalhista, confirmando que o consórcio ainda precisa pagar mais de R$ 1,3 milhão aos colaboradores, valor referente a 50% da folha salarial do mês de novembro. “Nós vamos procurar conversar com a prefeitura para receber o que nós temos a receber ainda e negociar. É essa a palavra de ordem hoje”, finalizou.

Com informações Campo Grande News

PUBLICIDADE
andorinha Greve dos Motoristas

Veja também