Funai solicita apoio da PF para investigar emboscada no Pará

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A Fundação Nacional do Índio requisitou o apoio da Polícia Federal e informou que equipes estão a caminho da base instalada na Terra Indígena Apyterewa, nas proximidades do distrito da Taboca, em São Félix do Xingu.

A Polícia Federal confirmou que já há equipes fazendo diligências no local e que o caso é investigado pela delegacia da corporação em Redenção, no Pará.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis classificou como emboscada o assassinato do vaqueiro Marcos Antônio Pereira da Cruz, ocorrido na segunda-feira, 15, enquanto ele auxiliava o Ibama na retirada de cerca de 350 cabeças de gado de uma área ocupada ilegalmente.

A operação de desintrusão obedecia a uma decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental número 709, ajuizada em 2020 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil durante a pandemia, em razão da vulnerabilidade da população indígena frente às invasões por pecuaristas e garimpeiros.

Integraram as ações órgãos federais e de segurança que incluem o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai, o Ibama, a Agência Brasileira de Inteligência, a Força Nacional e as polícias Civil e Militar.

A Funai avaliou o quadro como preocupante, mas afirmou que servidores seguem seguros em uma das bases de apoio da fundação. A instituição também levantou a suspeita de que antigos moradores da terra continuam a invadi-la para a criação ilegal de gado e que esses retornos estariam por trás da emboscada.

Equipe do programa Caminhos da Reportagem da TV Brasil esteve recentemente na Terra Indígena para produzir material sobre a desintrusão e registrou informações sobre a presença remanescente de gado e tentativas de retorno de invasores.

“Apesar de os produtores rurais já terem sido retirados da área, há um gado remanescente. O Ibama detectou mais de 40 pontos onde ainda há bovinos. Alguns invasores continuam tentando entrar lá pra manejar esse gado. Eles vem fazendo atentados contra os indígenas e contra os agentes do estado. Um funcionário da Funai chegou a ser baleado no ano passado”

A reportagem apontou ainda dificuldades logísticas para alcançar animais em áreas de mata, o que complica a retirada e o manejo das reses pelas equipes de fiscalização.

“É uma ação complexa porque esse gado está em áreas da mata por onde não é possível chegar de carro. Às vezes, nem de quadriciclo”

Relatos de autoridades e da imprensa indicam que invasores têm usado táticas para atrapalhar operações oficiais, como queimar pontes e espalhar objetos pontiagudos nas estradas para furar pneus, e que ataques contra agentes e indígenas já ocorreram em ações anteriores.

Em nota, o Ibama declarou que medidas foram adotadas para apurar o crime

“com o objetivo de identificar os responsáveis e promover sua devida responsabilização, nos termos da lei”

O órgão externou ainda pesar pela ocorrência e informou que presta apoio à família da vítima

“O Ibama lamenta profundamente o ocorrido, manifesta solidariedade aos familiares e amigos da vítima e informa que está prestando o apoio necessário à família neste momento de dor”

As autoridades locais e federais seguem com diligências na região enquanto a investigação policial prossegue em Redenção, e a presença de equipes federais foi solicitada para reforçar a segurança e a apuração dos fatos.

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