Servidor público de MS é único sul-mato-grossense na Fodaxman

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O servidor público estadual e policial militar João Paulo Morisson Fernandez será um dos competidores da Fodaxman, uma das provas de triathlon extremo mais exigentes do país, que ocorre em Santa Catarina no sábado 13.

Único inscrito de Mato Grosso do Sul no evento, ele encara o desafio não apenas como um compromisso atlético, mas também como a responsabilidade de levar visibilidade ao estado em uma competição que integra o calendário internacional da modalidade.

A Fodaxman exige resistência em três trechos longos e distintos, com 4 km de natação, 176 km de ciclismo e 39 km de corrida, em percurso ponto a ponto que tem início na Barragem do Rio São Bento, em Siderópolis, e encerra em Urubici, na Serra Catarinense.

O trajeto de ciclismo soma aproximadamente 3.850 metros de altimetria acumulada e atravessa trechos notórios como a Serra do Rio do Rastro, reconhecida pelas subidas íngremes e curvas sinuosas, enquanto a corrida final termina no topo do Morro da Igreja, a 1.818 metros de altitude.

João atribui à experiência anterior no Patagonman a decisão de disputar novas provas extremas e vê ali uma mudança de perspectiva sobre o esporte

“Depois que eu terminei a Patagônia, ela me inspirou a fazer mais desafios no triathlon, a viver mais experiências do triathlon extremo em outros lugares. Foi uma experiência de vida fantástica”

Motivado por essa experiência, ele iniciou preparação intensa ainda em janeiro e manteve foco até a prova.

“Terminei o Patagonman e já engrenei no ritmo. Desde janeiro eu não parei, foquei nessa prova”

O início da prova é um elemento adicional de dificuldade, com a natação começando às 3h40 nas águas da barragem, quando a luminosidade ainda é reduzida e o cenário inclui a antiga capela de São Bento submersa.

“A gente nada em volta da torre da capela, que está submersa. Só de imaginar nadando num lugar desse já arrepia”

Após a travessia aquática, os atletas enfrentam o exigente trecho de bicicleta e, por fim, a corrida que finaliza o percurso em altitude, combinando esforço físico e variação climática significativa durante o dia.

“Você sai de uma barragem onde tem uma capela inundada e termina no Morro da Igreja. É igreja do começo ao fim. Parece que o esporte vira um detalhe perto da experiência”

Para chegar com condições de competir em uma prova deste nível, João ressalta as renúncias e a disciplina necessárias, destacando o valor do processo de preparação para além do resultado em um único dia.

“Não é fácil. Tem que abrir mão de muita coisa. Mas não é dedicar meses pra um dia só. Toda a jornada é construtiva. Durante a jornada eu desenvolvo autoconhecimento, autodisciplina e autodomínio”

Ao comentar o significado dessa trajetória, ele reforça o foco pessoal que sustenta a rotina de treinos.

“O que vale é o meu propósito e a minha jornada”

A relação com o esporte vem desde a infância, influenciada pela família, e João procura transmitir esse legado aos filhos no dia a dia.

“Meu pai é professor de Educação Física, então a atividade física sempre fez parte da minha educação. Hoje, eu vivo isso e levo para dentro da minha casa, com meus filhos”

No histórico de competições de longa distância, o atleta já completou Ironman Brasil e Ironman 70.3, participou de quatro maratonas, uma ultramaratona de 75 km e duas ultramaratonas de 100 km.

Grande parte da preparação do policial ocorreu em Campo Grande, no Parque dos Poderes, espaço que se consolidou como referência local para treinos de corrida e ciclismo por conta da infraestrutura disponível.

Conforme o secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, a presença de atletas como João atesta a utilidade do espaço para a formação esportiva e a promoção de hábitos saudáveis

“Quando vou fazer atividade física no Parque dos Poderes, muitas vezes encontro o João treinando. Isso mostra como o espaço é vivo e cumpre sua função de estimular hábitos saudáveis e também preparar atletas para grandes desafios”

O secretário destaca ainda que o complexo passou por um processo de revitalização que ampliou as condições de uso e beneficiou tanto a população quanto competidores de alto rendimento.

“Hoje, o Parque dos Poderes oferece uma estrutura completa, com asfalto de qualidade, pistas bem conservadas, academias ao ar livre e um ambiente que favorece tanto quem está começando quanto atletas de alto rendimento. É um investimento que se reflete diretamente na qualidade de vida da população e no fortalecimento do esporte sul-mato-grossense”

Para reforçar a identidade do estado durante a competição, João personalizou o capacete com as cores de Mato Grosso do Sul e pretende mostrar que o triathlon de longa distância também é cultivado na região.

“No Patagonman eu era o único atleta de Mato Grosso do Sul e agora na Fodaxman também sou. Quero mostrar que aqui no estado também existe triathlon de alto nível, gente disciplinada, gente que treina e vive o esporte”

A logística de participação envolve apoio constante, providenciado por familiares que acompanham o atleta durante toda a prova.

“A prova exige apoio. Não dá pra fazer sozinho. Ter minha família comigo faz toda a diferença”

Com oscilações térmicas previstas entre 5 ºC e 35 ºC, altimetria elevada e muitas horas de prova, a Fodaxman é considerada uma das disputas mais árduas do país, cenário no qual João busca uma experiência transformadora.

“Você vai para sofrer, mas é um sofrimento bom. A paisagem, o ambiente, tudo isso dá força. O esporte, às vezes, parece só um detalhe. O que vale é a experiência”

Além da preparação física e do suporte familiar, o compromisso do atleta com a representação do estado marca sua participação, que ocorre dentro de um circuito de provas extremas reconhecido internacionalmente.

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