A mais recente edição da revista britânica The Economist coloca o Brasil no centro de um debate internacional sobre a capacidade de países superarem crises políticas provocadas por líderes populistas. A publicação afirma que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado para 2 de setembro no Supremo Tribunal Federal (STF), é um teste de como democracias podem reagir a tentativas de ruptura institucional.
Na capa, Bolsonaro aparece caracterizado como o “Viking do Capitólio”, referência a Jacob Chansley, figura que se tornou símbolo da invasão ao Congresso dos Estados Unidos em 2021. A imagem acompanha a análise de que Brasil e EUA estariam “trocando de lugar”: enquanto o governo de Donald Trump é descrito como mais corrupto, protecionista e autoritário, o Brasil, mesmo sob pressão externa, busca fortalecer suas instituições.
O texto ressalta que, no país, políticos de diferentes espectros ideológicos têm seguido as regras democráticas e defendido reformas institucionais, postura que a revista chama de “papel de adulto democrático” no hemisfério sul. O STF é apontado como barreira contra o autoritarismo, reação atribuída à memória do golpe militar de 1964 e à redemocratização de 1988.
A reportagem também observa que, apesar de defender a democracia, a Corte é alvo de críticas pelo acúmulo de funções e pelo grande volume de decisões anuais, o que levanta debates sobre concentração de poder. Pesquisas citadas indicam que a maioria dos brasileiros acredita que Bolsonaro tentou se manter no cargo à força após perder as eleições de 2022.
Segundo a publicação, as provas reunidas no processo incluem a participação de um ex-general em plano para anular o resultado eleitoral e a preparação de atentados contra o presidente eleito. Para a revista, o fracasso da tentativa de golpe se deu mais por incompetência do que por falta de intenção, e o desfecho do julgamento poderá influenciar o cenário político brasileiro até as eleições de 2026.
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