Livro cita bastidores da prisão considerada arbitrária e ilegal de Delcídio do Amaral na Lava Jato

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  • Post publicado:8 de dezembro de 2023

O livro, organizado pela advogada Ligia Maura Costa, reúne histórias dos bastidores da Operação Lava Jato, considerada, na época, como a maior investigação anticorrupção do Brasil. Um dos capítulos é dedicado à prisão do ex-senador Delcídio do Amaral, em 2015, e à reação dos seus colegas de parlamento, que segundo informações teria gerado uma grande comoção entre os parlamentares.

Os detalhes que antecederam a sessão do Senado Federal que culminou na cassação do mandato do Senador Delcídio do Amaral, foram narradas pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Delcídio do Amaral era um dos principais nomes do PT nos governos de Lula e Dilma Rousseff e foi o primeiro senador a ser preso em pleno exercício do mandato desde a redemocratização, acusado de tentar impedir a colaboração de um ex-diretor da Petrobras com a Justiça.

Convocado às pressas para comparecer ao Senado, na manhã da prisão de Delcídio, Kakay diz que argumentou pela soltura do Senador, afirmando que a prisão era ilegal e inconstitucional. Ele alertou os senadores sobre o risco de ratificar a arbitrariedade do poder Judiciário e à Lava Jato, que poderiam, da mesma forma, prender outros parlamentares no futuro.

Segundo ele, Renan Calheiros concordou com a ideia e anunciou que iria soltar Delcídio, mas mudou de opinião depois da pressão da imprensa.

kakay

“Eu falei para os senadores: ‘Essa prisão do Delcídio é um absurdo jurídico da Lava Jato. A Constituição dá a vocês o direito de libertá-lo. Vocês têm que se reunir hoje e soltar esse senador’”, narra Kakay, na obra.

“E ainda alertei: ‘Se não fizerem isso, vocês estão entregando um poder ao Judiciário e à Operação Lava Jato que, em breve, vai prender uns cinco ou seis de vocês’”, complementa. Segundo o advogado, Renan Calheiros teria concordado e anunciado que soltaria Delcídio —mas o plano fracassou. “Na hora H, a imprensa pressionou e eles não tiveram coragem de soltá-lo. Eles podiam, simplesmente, ter libertado o Delcídio”, avalia.

O livro de Ligia Maura Costa traz também as versões de Sergio Moro, ex-juiz e atual senador pelo União-PR, e de Deltan Dallagnol, ex-procurador e coordenador da força-tarefa da Lava Jato. Eles foram os principais responsáveis pela condução da operação, que teve repercussão nacional e internacional.

Outros entrevistados são o ex-presidente Michel Temer (MDB), o ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello e os advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Alberto Zacharias Toron, que atuaram na defesa de alguns réus da Lava Jato.

op lava jato

Editado pela Lumen Juris, teve seu lançamento na última segunda-feira, 04 de dezembro, na Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo.

Ao Folha MS, Delcídio do Amaral comentou sobre a publicação que considera importante, por levar ao conhecimento da população, o que considera uma das maiores armações políticas da história.

“Acreditavam que cassando meu mandato, iriam se livrar da Lava Jato, mas o que aconteceu foi justamente o contrário, abriram a porteira, e posteriormente assistimos o avanço de uma suposta investigação que denunciou mais de um terço do Senado”.

Delcídio do Amaral teve a cassação do seu mandado de Senador referenciada pelo senado em sessão presidida pelo então presidente da casa, Senador Renan Calheiros, que mais tarde, também veio a se tornar réu na mesma Operação Lava Jato.

“A minha absolvição é uma reparação histórica para mim, fui vítima de uma armação. Na época, eu estava em evidência, crescendo muito na área política e tinham medo de que chegasse a algo ainda maior. As ditas provas apresentadas, na verdade, não passavam de um flagrante forjado, mas graças a Deus, a justiça foi feita, segui todo o rito jurídico e fui inocentado, tanto em primeira, quanto em segunda instância, e nesta última, por unanimidade”, afirmou Delcídio ao Folha MS.

“Fui inocentado sem recorrer a subterfúgios jurídicos, percorri todos os trâmites legais, em todas as esferas, e o caso já é transitado em julgado, ou seja, minha inocência não se contesta, é uma questão definitiva”, concluiu.

Delcídio do Amaral reforça ainda que após provar sua inocência, resgatar a sua honra e de sua família, segue com o propósito de responsabilizar juridicamente todos os envolvidos nas difamações e provas forjadas contra ele.