Gripe ou covid-19? Com sintomas parecidos entre as doenças, teste ajuda a definir diagnóstico

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A gripe e a covid-19 apresentam manifestações respiratórias bastante semelhantes.Em meio à pandemia, especialmente com o surgimento da nova variante Ômicron, e a surtos de gripe causada pelo vírus influenza pelo País, é normal que pacientes tenham incertezas sobre qual quadro apresentam. A testagem é o melhor caminho para o diagnóstico, apontam especialistas, que indicam que a velocidade do aparecimento de sintomas e perda de olfato podem ser indícios de qual doença se enfrenta.

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O diagnóstico é essencial, principalmente para os grupos de risco, como cardiopatas, gestantes e idosos – que se repetem para o coronavírus e para o influenza. A vacinação, o uso de máscara e o distanciamento social são as principais medidas preventivas.

“A covid normalmente é uma doença evolutiva. É uma doença que tende a progredir até o final da primeira semana”, diz o infectologista Marcelo Otsuka, vice-presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). “A gripe (causada pelo influenza) normalmente já começa grave.”

Na infecção “clássica” pelo influenza, logo no primeiro dia o paciente já apresenta muita dor no corpo, dor de cabeça, dor de garganta, febre, calafrio ou sensação febril, explica a infectologista Nancy Bellei, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Normalmente, continua ela, tosse com expectoração aparece em 24 horas, e o quadro segue assim por cerca de dois ou três dias.

Otsuka destaca que sintomas nas vias aéreas superiores, como coriza, tosse e espirros, mesmo podendo aparecer nas infecções causadas pelos dois vírus, são mais frequentes em pacientes infectados pelo influenza.

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Esse início “menos intenso” da covid gera muitas dúvidas. “A pessoa pensa ‘ah, eu dormi com ar-condicionado ligado’ ou ‘acho que eu estou pegando um resfriadinho’”, fala Nancy.

A perda de olfato também pode indicar qual doença o paciente apresenta. Os especialistas destacam que a anosmia é sintoma da covid, não da gripe. Otsuka acrescenta que lesões na pele e alterações cardiovasculares podem indicar um caso de coronavírus.

Com o surgimento da variante Ômicron, surgem dúvidas sobre uma possível mudança no quadro clínico da doença. Por ora, evidências preliminares indicam que a cepa detectada em novembro causa uma doença menos grave. No entanto, a falta de dados clínicos não permite afirmar com certeza.

O infectologista Martoni Moura e Silva diz que os principais sintomas da doença causada pela Ômicron são “dor de garganta, dor no corpo, principalmente na região da lombar, congestão nasal, problemas estomacais e diarreia”. Já nas infecções por Delta e Gama “perda de olfato e paladar, dor no corpo, dor de cabeça, fadiga muscular, febre, tosse” são as manifestações mais frequentes.

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Testagem é primordial

Por mais que algumas especificidades possam ajudar a diferenciar as doenças, apenas a testagem pode confirmar o diagnóstico. Silva indica que para a covid, o teste RT-PCR é a melhor opção, pois tem maior sensibilidade (menos chance de apresentar um falso negativo). Ao negativar para o quadro causado pelo coronavírus, a orientação é testar para a gripe também.

Caso o paciente não possa fazer os testes, a indicação é ficar isolado. Segundo Nancy, o isolamento para o coronavírus, devido a incertezas com a Ômicron, deve ser de 14 dias; já o para o influenza, de uma semana.

A agilidade no diagnóstico, porém, pode ser vital. “Para influenza, temos um tratamento antiviral (Tamiflu) que deve ser instituído rapidamente até o segundo dia, em alguns casos até o quinto, para que haja uma recuperação melhor”, afirma Silva.

Quando buscar uma unidade básica de saúde?

“Se você tem um quadro respiratório hoje, frente à pandemia, frente ao surto de influenza, o ideal é conversar com seu médico”, diz Otsuka. “A telemedicina pode ser o primeiro passo.”

Para o infectologista, sinais de alerta para ambas as doenças, são falta de ar, cansaço, febre alta e difícil de controlar, e muita dor no corpo. Caso apresentar alguma dessas manifestações, o paciente deve buscar uma unidade de saúde. “Quando os sintomas são muito chamativos, procure o médico”, resume.

Otsuka destaca que pacientes da covid, com queda de saturação de oxigênio no sangue, por vezes não “aparentam tanto falta de ar”. Por isso, o monitoramento com um oxímetro é importante. Nancy indica que marcações abaixo de 95 são preocupantes.

Para pessoas dos grupos de risco, a apresentação de sintomas, mesmo que leves, exige a busca de atendimento médico para avaliação do quadro.

Prevenção

As medidas de prevenção da gripe e da covid são as mesmas. Em um primeiro momento, os infectologistas indicam que a população busque a vacinação para ambas doenças.

Medidas não farmacológicas seguem necessárias, principalmente porque a Ômicron parece reduzir a eficácia de imunizantes, e a Darwin, nova cepa do influenza, parece fugir da imunidade provida pela injeção contra a gripe. Uso de máscara, distanciamento físico e higienizar as mãos são maneiras de se proteger das doenças.

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