Brasil não reconhece reeleição de Evo Morales, afirma Itamaraty

prisão de Evo Morales
Evo Morales seguiu em avião da Força Aérea Mexicana para o asilo político concedido pelo país / Foto: Reuters
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  • Post publicado:26 de outubro de 2019

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou nesta sexta-feira (24) que não reconhece, por enquanto, a reeleição de Evo Morales ao cargo de presidente da Bolívia. Em um tuíte, o Itamaraty justificou que apoia uma auditoria completa do primeiro turno proposta pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Considerando-se as tratativas em curso entre a OEA e o governo da Bolívia para uma auditoria completa do primeiro turno das eleições naquele país, o Brasil não reconhecerá, neste momento, qualquer anúncio de resultado final”, afirma o Itamaraty, em um tuíte.

Com 99,99% das urnas apuradas, Evo Morales conseguiu se reeleger no primeiro turno ao atingir 47,07% dos votos, uma diferença superior a dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado: Carlos Mesa obteve 36,51%.

Na Bolívia, um candidato pode se eleger ainda no primeiro turno se alcançar uma maioria simples ou se obtiver mais de 40% dos votos e uma vantagem superior a dez pontos percentuais sobre o segundo colocado na votação.

Acusações de fraude

Após acusações de fraude – principalmente devido a uma interrupção no sistema de transmissão dos resultados que durou 24 horas –, a OEA se prontificou para auditar o primeiro turno das eleições. O órgão americano e a União Europeia sugeriram que, mesmo com o resultado apontado pela apuração, a Bolívia passasse por um segundo turno.

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Denúncias de fraude eleitoral ecoam em todas as regiões do país e população vai às ruas em protesto

Manifestantes interditaram ruas de La Paz nesta sexta-feira para pedir auditoria dos resultados das eleições presidenciais na Bolívia. Testemunhas da Reuters não relataram incidentes violentos – porém, na noite de quinta, manifestantes entraram em confronto com forças de segurança nas ruas da cidade.

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Na linha internacional entre Brasil e Bolívia, manifestantes liderados pelos Comitês Cívicos, fecharam a fronteira com Corumbá na última terça-feira (22) e a passagem de veículos continua interrompida.