Banhistas ignoram falta de segurança e lotam prainha do Porto Geral aos finais de semana

Aos domingos, prainha do Porto Geral recebe um grande número de pessoas que se refrescam nas águas do Rio Paraguai / Foto: Arquivo

As altas temperaturas registradas nas últimas semanas em Corumbá, com os termômetros chegando a marcar até 39º, com sensação térmica de 43º, uma das saídas encontradas pelos corumbaenses e moradores da região pantaneira, é se refrescar nas águas do rio Paraguai. E a Prainha, como é chamada a área do Porto Geral, é um dos locais mais procurados pelos banhistas.

O grande número de pessoas que nos últimos finais de semana lotaram a região, sempre foi motivo de preocupação das autoridades, já que anualmente, o Corpo de Bombeiros vem registrando uma crescente nos casos de afogamento no Rio Paraguai, onde o local não é considerado apropriado para o banho pelas autoridades. Apesar disso, na última semana, dois vereadores apresentaram requerimentos solicitando para prefeitura, que disponibilize uma melhor estrutura para as pessoas que vão até o local para se refrescar.

De acordo com a Capitania Fluvial dos Portos, o órgão é responsável apenas pela parte de navegação do Rio, averiguando a entrada e saída de grandes e pequenos barcos, a regularização das mesmas, inspeções navais, verificação da documentação, uso do colete salva-vidas, registro devido de cada embarcação.  Ainda conforme a Capitania dos Portos, a regulamentação sobre os banhistas fica à do poder público,  responsável em avaliar se a área da Prainha do Porto Geral, é adequada para banho ou não, bem como também alertar os riscos através de placas informativas e até mesmo a presença de um socorrista salva-vidas no local.

A Prefeitura de Corumbá por meio da Assessoria de Imprensa, confirmou ao Folha MS que a gestão da Orla Portuária é de responsabilidade  do município, e que já trabalha no projeto executivo de revitalização da área e busca esse trabalho atendendo as normas que regulamentam junto aos órgãos competentes paraa sua melhor adequação.

Em contato com o comandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, tenente coronel André Delai Rufato, , para que o local seja ocupado e indicado para banho, é necessário cumprir uma série de fatores para sua regularização, um processo que vai desde sinalização informativa para os banhistas, até a presença de socorristas no local, que será de competência do órgão responsável.

De acordo com comandante do Corpo de Bombeiros, atualmente o local não atende as especificações de segurança para prática do banho / Foto: Leonardo Cabral

Ele ainda salienta que o papel dos Bombeiros é dar apoio à Prefeitura, mediante eventos na cidade que ocorram próximo ou na área portuária, como por exemplo a tradicional Festa do Banho de São João, que conta com o apoio de militares da instituição em prontidão para atender qualquer tipo de emergência.

“Um dos itens que é exigido pelo Corpo de Bombeiros é a demarcação de área para banho, ou seja, caso seja verificado que o local é adequado para receber banhistas, haverá que passar por uma regularização, como a presença de boias, demarcação com cordas, placas informando sobre a profundidade exata. Um socorrista por parte da Corporação não pode ficar à disposição, por isso é o órgão responsável em disponibilizar esse efetivo”, explica o comandante Rufato se referindo aos Bombeiros, podendo dar suporte e orientações ao socorrista no local, através de uma capacitação, dependendo da situação.

Mortes por afogamento

Só nesses nove primeiros meses do ano, os Bombeiros registraram 04 mortes por afogamento. O último caso aconteceu no início de setembro, quando o jovem Reny dos Santos Aguera, de 18 anos, que tomava banho no rio com amigos, acabou se afogando e perdendo a vida. Já em 2016, ao todo 12 pessoas morreram na região vítimas de afogamento.

Durante o resgate do corpo do jovem, em entrevista ao Folha MS, o sargento da corporação, Clodoaldo Gomes, revelou que em 18 anos de trabalho, foram resgatados  90 corpos de vítimas de afogamento, e praticamente todos ocasionados por imprudência, ou seja, a pessoa não sabia nadar e sem tomar medidas para a sua segurança entrou no rio.

Comentários