Os “milagrosos” Policiais Militares do 6º BPM de Corumbá

Não sei se era para “soar” como elogio, mas me pareceu entoar mais pelo ar do deboche, a declaração do atual secretário de estado e justiça de Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa, o “Barbosinha”, ao falar dos “milagres” feitos pelos valorosos policiais militares de Mato Grosso do Sul lotados no 6º BPM de Corumbá.  O fato é que nem ele mesmo esperava as palavras (muito bem-ditas), do Juiz titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Corumbá, que demonstrou a sua insatisfação – e de todos os cidadãos que moram na região pantaneira –  quanto aos “investimentos”, ou pelo menos o que deveria ser feito na região de Corumbá e Ladário no quesito segurança pública.

Afinal, em uma solenidade para entrega do tão esperado anexo III da unidade prisional masculina de Corumbá, talvez o normal a se esperar fosse apertos de mãos, tapinhas nas costas, sorrisos e agradecimentos (como se nos estivéssemos fazendo um grande favor), mas ao invés disso, com toda serenidade e sobriedade, o magistrado ressaltou a importância do poder público investir mais, – e muito mais – na segurança da fronteira, e fez questão de ressaltar a falta de investimento humano na região de Corumbá que se perdura há décadas.

Juiz André Luiz Monteiro ressaltou a importância de um maior investimento na segurança da fronteira

Sem apontar responsabilidade de governo A ou B, e como quem explica à uma criança, o magistrado exemplificou a sua tese em uma comparação matemática simples ao relacionar o efetivo de policiais militares destinados para atuar em Aquidauana (200), contra os meros (130), policiais militares imbuídos da difícil missão de Proteger e Servir a população pantaneira.

Em sua fala o Juiz André Luiz Monteiro disse “Não podemos trabalhar com dois delegados e um efetivo composto por 130 homens da Polícia Militar, enquanto a cidade de Aquidauana tem mais de 200. Precisamos refletir qual segurança pública que queremos? E o primeiro passo é cuidar de frente as nossas fronteiras”, ressaltou.

Apesar de reconhecer a deficiência corporativa e o déficit de policiais no estado, Barbosinha tentou justificar o número superior de policiais atuando em Aquidauana, dizendo que lá, os militares atuariam também em outras bases operacionais, como se aqui não.

Secretário de Justiça José Carlos Barbosa

“Temos deficiência de efetivo em MS, todos os prefeitos reclamam disso. Quando se fala em duas cidades, Jardim e Aquidauana, o que explico é que, os militares dotados nessas unidades, não atendem apenas essas duas cidades, mas sim outros municípios localizados nas denominadas bases operacionais. 130 é um número muito pequeno e esses homens fazem milagre em Corumbá. Estamos atentos ao final de ano, onde teremos um curso de formação de cabos. Corumbá receberá em torno de 40 policiais que ficarão por volta de três a quatro meses, reforçando o policiamento. O governo vem trabalhando para o lançamento do concurso público ainda este ano, visando a contratação de mais militares”, justificou.

Apesar do discurso do magistrado não ter sido explicitamente direcionado ao atual secretário, já que esta é uma situação que se perdura há décadas, a sensação passada pelo desconforto apresentado por Barbosinha, foi de que nitidamente; a carapuça serviu. E muito bem, como se tivesse sido feita sob medida, e olha que ele nem tocou no assunto do regime semiaberto de Corumbá.

Dito pelo não dito, o que temos de certeza sobre tudo isso é de que além da proteção divina, continuaremos carecendo de olhares atentos dos “Milagrosos Policiais Militares do 6º BPM de Corumbá”.

 

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