Juiz manda quadrilha ser solta para que ela possa cuidar de gado furtado

Bando foi acusado de ter cometido crime em pelo menos 15 fazendas de MS
Bando foi acusado de ter cometido crime em pelo menos 15 fazendas de MS / Foto: CE

Quatro meses depois de a polícia se empenhar e desarticular quadrilha especializada em furto de gado, juiz determinou a soltura de todos os integrantes, em decisão expedida na segunda-feira (20). Conforme o documento, o magistrado Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande, decidiu pela liberdade de 13 acusados de terem provocado prejuízo, que gira em torno de R$ 1 milhão, a produtores rurais de Mato Grosso do Sul, para que eles possam cuidar do rebanho que furtaram, já que o Poder Judiciário não foi capaz de viabilizar a venda de parte dos animais e outra será devolvida aos donos.

O bando criminoso foi desmontado no começo do mês de março por policiais do Grupo Especializado de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Na ocasião, o esclarecimento de uma série de furtos de gado, ocorrida em pelo menos seis cidades do Estado, foi mostrado à imprensa e apresentados 10 dos 13 autores. Tratando-se de Hélio Ângelo dos Santos, Dilson Aparecido Almada, ambos de 38 anos, Ronaldo Ribeiro Melo, 25, Odair José Morais, Luiz Fernando de Oliveira Faria, Eliton Pereira Souza, todos de 26 anos, Márcio Antônio Morais, 24, Marcos Leandro Morais, 28, Leandro Sanches, 18, e Elias Gomes de Sena, 52.

Hélio Ângelo foi apontado como o dono da estrutura criminosa e Ronaldo, junto de Dilson, auxiliares dele.

De acordo com o delegado responsável pela desarticulação da quadrilha, Fábio Peró, o grupo tinha como alvo, somente, animais de grandes raças, como a Brangus, para melhoramento genético. Os ladrões agiram em cidades como Jaraguari, Dois Irmãos do Buriti, Terenos, Nova Alvorada do Sul, Camapuã e Campo Grande, no período de pelo menos seis meses, e fizeram mais de 15 vítimas, cujo prejuízo esteve estimado em cerca de R$ 1 milhão.

Ainda no decorrer das investigações, foram identificados como integrantes da associação criminosa: Antônio Paz de Melo, Antônio de Almeida Neto e Amauri Gilioli.

DECISÃO

Na decisão, o juiz Waldir Peixoto Barbosa registrou que o gado, que fora apreendido junto ao grupo, precisa ser transferido de pasto com urgência. Uma vez que não há mais pastagem disponível para alimentar os animais.

A situação foi levada ao Ministério Público, que, por sua vez, propôs aos réus que se responsabilizassem pela transferência do rebanho. Os presos concordaram com a proposta, por meio dos advogados, mas desde que fossem colocados em liberdade para melhor viabilizarem a remoção dos animais.

Desta forma, Elias e Elizeu, que são irmãos, têm até 10 dias, a contar da data da decisão, para levar o gado para fazendas de suas propriedades, na região de Aquidauana. O transporte deverá ser feito com os dois caminhões e uma F-4000 que também haviam sido apreendidos quando o bando foi desarticulado.

Os demais réus, exceto Amauri, terão de bancar as despesas, divididas igualmente. Diante do acordo, foi concedida liberdade provisória a todos os presos. Em caso de descumprimento, o benefício será revogado.

No documento não foi discriminado quantos animais serão transferidos. Porém, na ação, Elizeu contestou que nem todo o gado apreendido foi furtado e que, parte dele, com a marca “E3”, seria de sua propriedade.

A remoção deverá ser feita acompanhada por um oficial de justiça que fará expedição de relatório.

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