Após prisão em Corumbá, Itália negocia extradição de Cesare Battisti

Italiano foi detido tentando sair do país em um táxi boliviano, transportando quantia superior a R$ 10 mil reais sem a devida declaração à Receita Federal / Foto: PRF

O governo italiano afirmou nesta quinta-feira (5) que está trabalhando com as autoridades brasileiras para de obter a extradição do ex-militante de extrema-esquerda Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália e detido nesta quarta na fronteira brasileira com a Bolívia.

Battisti foi preso nesta quarta em Corumbá, cidade fronteiriça com a Bolívia, levando mais de R$ 10 mil em dinheiro sem declarar à Polícia Federal, o que é crime. Ele prestou depoimento à noite para falar sobre a suspeita de evasão de divisas. A justiça federal em Mato Grosso do Sul deve decidir nesta quinta se Battisti poderá pagar fiança para ser solto.

“Hoje trabalhamos com o embaixador (italiano no Brasil, Antonio) Bernardini para trazer Battisti para a Itália e entregá-lo à Justiça. Continuamos trabalhando com as autoridades brasileiras”, declarou o ministro italiano das Relações Exteriores, Angelino Alfano.

O último pedido de extradição por parte da Itália foi em 25 de setembro e, segundo a imprensa italiana, o presidente Michel Temer teria-se mostrado favorável, o que pode ter motivado a “tentativa de fuga” de Battisti para a Bolívia.

Ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, Battisti, hoje com 62 anos, foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios ocorridos na década de 1970 e fugiu para o Brasil em 2004, onde viveu na clandestinidade. Foi detido no Rio de Janeiro em 2007. Ele ficou detido por quatro anos antes de ser posto em liberdade em junho de 2011.

Em 2009, a pedido do país europeu, o Suprema Tribunal Federal autorizou sua extradição, que foi negada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mesmo ano Battisti recebeu do governo brasileiro refúgio político.

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