Estado de Espírito

danielmHá 6 meses, em minha despedida de Corumbá, eu dizia que “há encontros fortuitos que traçam laços indeléveis”. Por motivos profissionais, na época tive de deixar Corumbá, mas quem disse que Corumbá saiu de mim?

Paulistano, distante a mais de 1 mil quilômetros da família, amigos, referências e certezas, vivi 2 anos nessa cidade tão pequena quanto intensa, em meio a um povo de simplicidade e extroversão diametralmente opostas às dos habitantes das grandes metrópoles. E de um ritmo e um jeito de ser que eu tantas vezes refutei, confrontei e, confesso, tardei a decifrar.

Tal qual Caetano em “Sampa”, custei mas entendi que a Cidade Branca não é assim tão simples e óbvia, exibe uma profusão sui generis de raças e credos, uma gastronomia exuberante advinda de uma mistura fronteiriça peculiar, uma cultura própria e vigorosa de um povo mestiço, alegre e altaneiro que subverte a empáfia típica das metrópoles para altivamente se proclamar corumbaense, evocando sempre a benção divina de habitar a Capital do Pantanal. Talvez por isso seja o mais estrangeiro e atípico de todos os municípios sul-mato-grossenses.

Corumbá: na semântica, terra distante, longe fim de linha… para mim, o recomeço, o despertar de uma nova consciência, uma nova vida e carreira profissional, um lugar que aprendi a gostar “apesar de” e não apenas “por causa de” (dizem que aí reside o amar), onde tantas vezes me encontrei sozinho (sobretudo comigo mesmo) e que permanecerá indesmemorizável e indelével em meu coração.

E agora, com grande alegria, recebo de braços abertos a missão de voltar a escrever sobre Corumbá e para os corumbaenses. O que prova que a confluência é mesmo um dos predicados do destino – não importa onde você esteja – assumi com Corumbá uma trajetória em comum.

Enfim… a partir desta edição, semanalmente e humildemente, tentarei praticar uma das coisas que o corumbaense mais gosta de fazer, seja na roda de tereré ou na mesa de bar: contar histórias. Histórias que reforcem para “nós” e ajudem aos “de fora” a entender o que significa ser corumbaense.

Porque Corumbá é uma cidade, mas poderia muito bem ser um estado. Um estado de espírito!

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