A política e sua forma de enfiar “goela abaixo” as decisões dos governantes

 

Para uns, “momento histórico”, para outros, indiferença, já para muitos, simplesmente algo imposto a contragosto. Religião e fé à parte, esta é a sensação que boa parte da população sul-mato-grossense está sentindo com mais uma decisão unilateral do governo do estado em declarar Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a padroeira de MS.

Mas afinal quem decidiu? A população de que quais cidades foram ouvidas para se chegar a esta decisão? Acredito que uma deliberação de tamanha importância precisaria passar por um crivo bem mais abrangente, mas neste caso não, bastou um projeto feito por um fiel político, endossado por outros “Santos do pau oco” para que de forma “soberana”, e autoritária, os cidadãos, independente de credo e devoção, terem imputados à eles goela abaixo, uma determinada padroeira.

O decreto simplesmente ignorou aspectos culturais e religiosos de regiões onde sequer há uma igreja da referida padroeira, onde a população mais do que fé e religiosidade, tem a devoção por determinados santos como um ato cultural e histórico. Em Corumbá e Ladário, por exemplo, a devoção a Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora Auxiliadora e Nossa Senhora dos Remédios, são envolvidas por bem mais do que fé, são ligadas a fatos e registros que fazem parte da história do Brasil.

Como ignorar o fato atribuído à Nossa Senhora do Carmo durante a invasão paraguaia em Corumbá, que fez cessar o ímpeto inimigo ao ver um dos soldados brasileiros encurralados junto ao Forte Coimbra erguendo a imagem da Santa? Segundo o historiador Raul Silveira de Mello, após este gesto, soldados brasileiros conseguiram fugir com vida do cerco inimigo após dois dias de violentos confrontos.

Parece que a decisão sobre a padroeira do estado levou em consideração muito mais o número de eleitores que existem no reduto da santa do que de fato o número de fiéis no estado, afinal, Campo Grande é atualmente o maior colégio eleitoral de MS e vai que esse “agradinho” não garanta mais alguns votos nas eleições de 2018 não é mesmo?

Não foi a primeira vez

O que mais deve gerar indignação em parte da população interior afora, é o fato de que estes gestos “soberanos”, que insistem em percorrer a atual gestão do executivo estadual, se repetiram outras vezes ao longo dos últimos três anos. Foi assim com a escolha da fruta símbolo do estado, a Guavira, na música elegendo a viola Caipira como instrumento símbolo e Patrimônio Cultural do estado,ao invés da viola de Cocho, ignorando assim a cultura dos antepassados pantaneiros, já que o Pantanal é sim o maior símbolo e patrimônio do estado, mas nada disso conta apenas a decisão da “nobre corte”.

 

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